Os animais sempre exerceram um inegável fascínio sobre os humanos. Fosse pela fidelidade canina, pela independência felina, pela polivalência dos equídeos, ora a auxiliarem-nos com a sua força, ora substituindo os seus colegas bovinos numa lasanha, pela forma destemida como o cágado se lança pelo remoinho da retrete esgoto adentro, pela graciosidade vertical com que o pombo escapa in-extremis ao embate do pára-choques ou pela forma suculenta como um galináceo aparece no nosso prato, depois de nos ter melgado o juízo com o seu cacarejar demasiado matutino para quem pretendia uma manhã de descanso depois da ressaca da noite anterior. Obviamente, tal afecto, tão arreigado nas raízes que identificam o nosso povo, não poderia passar incólume aos clubes de futebol, eles próprios expressão de um sentimento sócio-cultural de um grupo de indivíduos.
É certo que os clubes de futebol procuram animais com conotações “nobres”, sejam eles leões, águias, dragões, tigres, galos, D. Afonso Henriques, golfinhos ou castores (se pensarmos que em inglês “castor” significa “beaver” e “beaver” é, em calão, uma coisa de dignidade duvidosa, mas ainda assim muito procurada pelos homens com as hormonas à flor da pele). Mas há sempre uma ou outra excepção à regra. E é isso que pretendemos debater.
Lá para os lados de Guimarães, os Caçadores das Taipas adoptaram como mascote um porco. Bom, em rigor, é um javali. Perante tão insólita mascote, várias perguntas nos assaltam: como se tratarão os indefectíveis adeptos dos Caçadores das Taipas? “Grandes porcos”? Terão claques com nomes como “Ultras Recos” ou “Torcida Suína”? Quando se referem a “arbitragens armadilhadas” será que os devemos tomar no sentido literal da expressão? Como reagirão perante um jogo Mealhada – Caçadores das Taipas? Será que o Caneira e o Obélix alguma vez foram declarados cidadãos eméritos das Taipas?
Se formos justos, pese embora a pouca ortodoxia, até há alguma razoabilidade na escolha de um porco selvagem, visto ser um clube de caçadores. E todos sabemos que o que não faltam são porcos por aí à solta, pelo que esta mascote até é capaz de granjear alguma simpatia. O Maniche, por exemplo, poderá rever-se e achar engraçado.
Maniche tentou a sua sorte como Bebop nas Tartarugas Ninja, mas apenas gravou o episódio piloto – perdendo assim a hipótese de encarnar uma das mais carismáticas personagens secundárias das anos 90.
E depois há aqueles clubes que vão mesmo ao âmago da portugalidade e escolhem para sua mascote… exactamente, um pinguim. Acontece em Santa Comba Dão, uma terra que carrega o estigma de ter dado berço ao Oliveira mais influente do último século (e não estamos a falar da família do ex-seleccionador nacional). Um pinguim, meus senhores. Uma ideia brilhante. Até nos admiramos de Carregal do Sal não ter designado um urso polar ou de Mortágua não ter optado por um canguru, mas tamanha verve ocorreu apenas em Santa Comba Dão. Se reflectirmos bem sobre a Beira Alta, na exuberância beirã, no virtuosismo do seu futebol, no espírito estóico das suas gentes, o que nos vemà mente? Se percorrermos as ruas graníticas de Santa Comba Dão, se entrarmos nos seus cafés, se fizermos cócegas ao seu pelourinho, se escavarmos as suas fecundas terras à procura de minhocas, se espreitarmos para os ramos das suas frondosas árvores, se perscrutarmos o azul infinito do seu glorioso firmamento, o que será provável encontrar? A resposta para todas estas questões é exactamente essa que vocês estão a pensar: um pinguim.
Se o pinguim terá jeito para ser associado a um clube de futebol tão longe da Antárctica é por certo discutível. Mas já cá houve pelo menos um pinguim a jogar à bola. Digam agora de vossa justiça.
Para quem não sabe, já
existia um verdadeiro líder madeirense antes de Alberto João Jardim, José
Manuel Coelho ou o Prof. Rui Mâncio. Chamava-se Acácio Pestana, o one-man-show
do jornalismo desportivo ilhéu. Sempre na sombra dos mais metropolitanos Gabriel
Alves ou José Nicolau de Melo, foi precocemente remetido para um injusto oblívio.
Meus senhores, este senhor levou o desporto madeirense às costas durante anos e
anos. Ele suportou praticamente sozinho as expensas de relatar jogos e comentar
resumos de futebol insulares. Por isso, respeitinho. Se não fosse Acácio
Pestana, nunca teríamos popularizado o Estádio dos Barreiros como “o Caldeirão”
e jamais conheceríamos a existência da palavra “canícula”. Provavelmente, não
teríamos o prazer de sentir aquele timbre tão característico a pintar-nos telas
expressionistas na nossa imaginação, quando, colados ao rádio, ouvíamos Acácio descrever
o “gol da turma forasteira, que vinha porfiando desde o início da etapa
complementar”. Eram outros tempos, eram outros bigodes. Acácio Pestana
multiplicava-se por toda a ilha. A seguir às bananas, era Acácio Pestana o
produto mais exportado da Madeira.
Era vê-lo em vários ecrãs em simultâneo no “Domingo
Desportivo” de então, magnetizando a atenção de Rui Tovar. Por muito que gostássemos
daquele móvel anacrónico estrategicamente colocado entre os apresentadores, com
um telefone também muito estrategicamente colocado a fazer de bibelot e notássemos
a falta de um naperon para completar aquela paisagem tão anos 80, era a
omnipresença de Acácio que impressionava. E, por incrível que pareça, não havia
imagens decentes de Acácio Pestana na internet. Até hoje. Demos mais sentido às
nossas vidas. Recuperámos Acácio Pestana.
Driss é um party-animal. Não há dúvidas quanto a isso. Ele quer lá saber da crise, dos impostos, das privatizações e dessa trampa toda – because Driss just wanna rock on! E cá estamos nós, à porta de mais um réveillon, a altura do ano em que Driss larga os tapetes e os ramadões para curtir que nem uma besta.
Este ano, Driss orquestrou um mega-evento: as chamadas “Drissíadas”, um acontecimento épico que se orgulha de receber os contributos de personalidades dos mais variados quadrantes. Se Driss também já é tradição, este ano Driss vai presentear-nos com a justaposição. So check this out.
Esperemos que vocês também se divirtam com as Drissíadas e deixamos os nossos sinceros votos, em nome de toda a Administração desta vossa SAD, para que 2013 possa ser tão bom quanto o pior de 2012. Ou melhor, que o pior de 2013 seja tão mau quanto o melhor de 2012. Isto é, que o pior de 2012 nunca mais se repita, a não ser que seja o pior do melhor de 2013. Quer dizer… nah, que se lixe: safem-se de 2013 da melhor forma que puderem.
Em 1995, ele era o parceiro predilecto do Pauleta no Estoril. Uma frente de ataque de respeito, com Curcic e Artur Jorge Vicente a coadjuvar. E já nessa altura, como agora, se podia dizer com propriedade que “os amigos do Cavaco safam-se bem”. O Cavaco, porém, não se safou tão bem. Quer dizer, houve piores, mas após um início auspicioso e até eufórico, a imagem dele destroçou-se com o tempo. Espalhava-se aos quatros ventos que ele era um especialista no difícil mester do golo, mas não fez a bola beijar as redes como o povo aspirava. E o povo cansou-se de pagar bilhetes cada vez mais caros para tão deploráveis espectáculos. Responsabilizaram-no por más épocas; ele tentou manter a pose e sair de fininho. Um movimento táctico que deixou de funcionar, até para os olhos menos analíticos e mais apaixonados dos meros treinadores de bancada.
Hoje em dia, pese embora o seu relativo obscurantismo e a postura taciturna, é um tipo que anda nas bocas do mundo – quase sempre pelas piores razões. Toda a gente diz “o Cavaco isto”, “o Cavaco aquilo”, “o Cavaco devia estar calado”, “o Cavaco sobre isto não diz nada”, “o Cavaco que venha ver isto”, “o Cavaco que se deixe estar quieto”… o Cavaco nunca está bem e já enjoa. As cavacas não; mas o Cavaco sim. O Cavaco podia ser mais fixe como o outro. Mas agora já não vai a tempo: o Pauleta só lhe fala por ocasiões estritamente oficiais e para manter o protocolo; o Curcic preferiu outras figuras para comporem os prefácios das suas obras de literatura infantil; o Artur Jorge Vicente disse que o ia visitar ao Algarve, o local de eleição onde passou várias temporadas, mas até agora nicles, safa-se com desculpas tão esfarrapadas como “ah, o sumo das laranjas do teu quintal faz-me mal ao pâncreas”. O Cavaco diz que tem uma conta bancária depauperada, perdeu amigos e anda triste, mas nós andamos mais tristes com ele.
Agora, equaciona mudar o nome para Pássaro – um belo apelido que esteve sempre ali à mão, a seguir ao tradicional Luís Miguel –, só para mudar de ares e quiçá voar daqui para fora quando fartar-se disto a sério. Como uma andorinha, antes que o chamem abutre.
Natal é tradição. E a
tradição de Natal é mais que um bolo-Rodolfo-Reis, é mais que uma árvore de
Natal com embrulhos ao seu redor, é mais que as capas ridículas dos jornais
desportivos. Tradição de Natal é Rudi.
Rudi, que por causa do seu
belo penteado à tigela, ganhou a audição para novo vocalista dos Weezer,
batendo Medane aos pontos. “Uma questão de atitude”, confidenciou-nos o management
da banda. Portanto, a tradição é Rudi mas Rudi desafia a tradição. Já estou a
ver “The Sweater Song” cantada em transmontano com sotaque balcânico e um clip
cheio de alheiras.
Natal é Paixão. Natal é
Hamori. Afinal o Natal é o quê?
O Natal é o que nós
quisermos que seja, sempre quando quisermos que seja. Porém, a gente costuma
dizer que primeiro vem o Paixão e só depois chega o Hamori. O Paixão é uma
força assolapada que nos ataca de pitons em riste, pleno de rebaldaria e fogoso
com os seus cabelos insubmissos que mais parecem uma hidra de sete cabeças. Já
o Hamori chega de mansinho, instala-se subrepticiamente no nosso âmago, é
discreto e lavadinho como se acabasse de sair do banho, mas não duvideis do seu
forte pontapé. O Paixão passa bem sem o Hamori mas, não raras vezes, o Hamori
começa após um tackle eficiente do Paixão. E por isso é que dissemos que
primeiro vem o Paixão e só depois vem o Hamori. O que nem sempre é verdade,
mesmo quando tudo nos leva a pensar o contrário.
Por exemplo, na situação
acima, o carro nº1 conduzido pelo Paixão, um Peugeot 206 verde com aileron
traseiro e luzinhas roxas a debruarem as suas partes baixas, avança maneiro
pela estrada fora, com o stereo a debitar inanidades sonoras indiferente a tudo
ao seu redor; está confiante que terá prioridade sobre o Hamori, a vetusta espécie
de furgão branco com o nº2, que se aproxima vagarosamente do cruzamento pela
sua esquerda. Contudo, há um ríspido sinal STOP que faz com que Paixão trave
bruscamente, eventualmente com o auxílio do travão de mão, de modo a evitar as
sempre lamentáveis colisões mortais entre Paixão e Hamori – verdadeiras visões doentias
onde a amálgama de despojos deixa o espectador confuso sobre o que seria aquilo
realmente, se Paixão ou Hamori, com resultados por vezes devastadores para a
saúde mental dos próprios transeuntes. “Maldição!”, brama Paixão, enquanto o
Hamori, tranquilamente, avança a sua inexorável marcha.
E se é João Catatau a
validar esta situação, nós nada podemos argumentar.
Natal é magia. Só isso
explica que Zeferino Boal esteja na calha para ganhar a votação que por ora se
encontra no canto superior direito deste vosso humilde blogue. Será a primeira
votação que Boal ganhará na sua vida, mesmo considerando as votações para delegado
de turma e para administrador de condomínio. A boa estrela que guiou os Reis
Magos está também a ajudar o nosso dedicado Zeferino a encontrar o seu caminho.
O papa pode dizer adeus à vaca e ao burro no presépio, mas não pode fazer nada
quanto à força mística de Zeferino. No Natal canta-se pela glória de Boal.
Há quase cinco lustros, era este o Lima que dava que falar lá para os lados da Luz. Também ele brasileiro, também ele um voraz animal de área. As primeiras impressões não podiam ser melhores. Cromísticamente falando, claro. Uma camisa com um desenho de gosto duvidoso bem abotoadinha até ao topo e um corte de cabelo que pedia meças ao MC Hammer falaram mais alto que o optimismo cândido de Lima. Mas Gabriel, o Mestre Gabriel a viver tempos de hegemonia comentarista, é que foi o verdadeiro mestre de cerimónias neste caso. Incisivo nas perguntas, directo na abordagem, entrou logo a pés juntos no futebol falado cheio de rodriguinhos pueris de Lima. E Lima, perante a tentativa de Gabriel em conter a sua superior risada, lá disse que na pequena-área desenrasca-se como pode, mas que gosta de jogar acompanhado e de usar o pé direito. Gabriel então despachou este Lima. Aguardou pela chegada do próximo convidado, o já então célebre e ancião Pinto de Sousa. Vejam então o que fizeram ao Gabriel Alves, ao supremo Mestre Gabriel dos velhos tempos. Não se faz.
"Uma direcção nova!”, clamou-se. Dias da Cunha estava caquéctico, Soares Franco gostava mais de outras coisas, Bettencourt fez o Zeferino Boal parecer credível e Bruno Carvalho cheirava a populismo… para além de ter sido afinado dali para fora. Por isso, Godinho e não chora. Ámen.
“Uma equipa nova!”, exigiu-se a seguir. Ouvimos, Senhor. Vieram sul-americanos, holandeses, espanhóis, juniores, internacionais, gente sem joelho e até o Ribas.
“Um treinador novo!”, era o natural passo subsequente. Depois de Paulo Bento, foram como os polícias, sempre aos pares por época. Até chegar Sá Pinto. Aleluia! Hossanas às alturas, era a ressurreição do filho perfeito. O messias. O único capaz de emprestar um rumo de calma e serenidade a um clube aturdido.
Sá Pinto. Calma e serenidade. Todos pressentimos o resultado.
O que faz falta é mudar de estádio. Esperem aí, já se mudou. Então mude-se de símbolo. Eh pá, é verdade, também já se mudou.
“O que faz falta é animar a malta!”, já avisava José Afonso. É bonito, sim senhor. Mas é insuficiente, porque a malta desanima-se com muita facilidade.
Não, o que faz mesmo falta é Santa Maria.
Quem? O grupo europop que deslumbra em concentrações de tuning? Duvido, eles não fazem falta a ninguém que já tenha abandonado o circuito turbulento dos carrinhos de choque e que se enjoe com o cheiro de churros e farturas.
Será o central com cara de filho do Tony Carreira, o mais precoce dos prodígios made in Alvalade-Alcochete? É verdade, Santamaria era afinal um menino. Com 16 aninhos apenas, saltou para a ribalta em Chaves, a terra dos sonhos em forma de presunto, num frio Janeiro de 1999. Santamaria, cuja alcunha permanece um mistério para um tipo chamado Ricardo-qualquer-coisa, tornou-se no mais jovem jogador a envergar a camisola sénior dos leões, batendo o ex-assador de leitões Caneira neste record. Em condições normais, ele seria a figura do jogo. Mas aquele foi justamente o jogo da célebre azia de Jorge Coroado. E assim, a falta de Rennie estragou a estreia do púbere central.
Santamaria, traumatizado por esta infeliz coincidência, regressou ao espremer de borbulhas e demorou um pouco a impor-se junto dos grandes. Talvez um pouco demais. Quando deu por si, já era um jogador maduro a jogar intermitentemente em divisões inferiores. Adeus, vã glória. Por quem és, bisonho record? Nem o sacrossanto nome o salvara de uma existência pouco mais que mundana. A única saída: o exílio dos malfadados, o tépido Chipre. Por lá ainda se encontra, na candura das suas 32 30 primaveras, embora a maior parte da gente pense que já seja avô.
Mas, obviamente, não é o Santamaria central que faz falta ao Sporting. Pelo menos, na óptica do Xandão. É mesmo a Santa Maria, Mãe de Deus, com algum dos seus (grandes) milagres. Mesmo assim, talvez não chegue.
- Cromos da Bola, SAD: Pergunta-se o desleixado e ocioso leitor se assalariar um avançado de 28 anos originário das divisões secundárias brasileiras será uma aposta segura para um clube de 1º Liga? - Desleixado e Ocioso Leitor: Bela questão. Mas antes de opinar sobre tão delicada situação, necessito de mais informação. - CdB, SAD: Certo. E se o indivíduo em questão contar somente com 172 centímetros de altura, tendo em conta que apenas 1 desses centímetros é dedicado ao pescoço? - DeOL: Pode ser complicado. Porém, se o tal senhor for useiro e vezeiro na difícil arte que é o molhar do pão na sopa, nunca se sabe. Afinal, obreiros competentes nesse nobre artifício são difíceis de arranjar... - CdB, SAD: Pois bem, dileto desleixado e ocioso leitor: após uma rápida consulta aos bolorentos arquivos da SAD cromática (vulgo google), concluimos que 13 golos em 85 jogos não serão necessariamente motivo para uma condecoração do Presidente da República. Ainda por cima em tempos de crise, que andar de autocarro está cada vez mais caro e a reforma do vetusto estadista não dá para tudo. Aliás, como ele próprio já assumiu, coitado. - DeOL: Espero que dê para comer um bolo-reizito de quando em vez. Hehehe. - CdB, SAD: Estimado desleixado e ocioso leitor, como sabe nós aqui no CdB, SAD apreciamos sobremaneira um pequeno apontamento humorístico, até mesmo com uma centelha de ironia, pois uma boa chalaça pode alegrar a mais cinzenta das jornadas. Contudo, rogamos-lhe que se refreie de utilizar zombaria no que respeita a tão insigne personagem. Ademais, "bolo-reizito" é um diminutivo demasiado ridículo para não ser censurado. - DeOL: Vai pró caralho, fascista de merda. - CdB, SAD: Foquemo-nos no essencial. 28 anos. 172 cms. Divisões secundárias brasileiras. Paucidade de gargalo. Média de 0,15 golos por jogo. - DeOL: Bigode? - CdB, SAD: Afirmativo. - DeOL:Um sorriso invade-me a face. Prevejo grandeza sublinhada por penugem supra-beiçal. Mas ainda não estou convencido a 100%. - CdB, SAD: Compreendo perfeitamente. Na verdade, o currículo entre-quatro-linhas do supracitado artista parece algo frágil. Falemos então de carapinhas oleosas. - DeOL:Quão oleosa? - CdB, SAD: Oleosa 80's. Oleosa testa-de-Cristano-Ronaldo-no-Sporting. Oleosa mão-de-Bossio. - DeOL:Esse é um bom tipo de oleoso. Assombroso, mesmo. - CdB, SAD: Subscrevo. Digamos que o Prince enquanto líder dos Prince & The Revolution em meados de 1986 não lhe pediria meças. - DeOL:É. Espantoso. Mais nada? - CdB, SAD: Uma mosquinha, 43% mais cuidada que a do Bino e 56% mais larga que a de Vítor Pereira. - DeOL:Homessa! Falamos portanto da mosquinha mais importante do futebol lusitano pós-Bino? - CdB, SAD:Quite possibly, my friend. - DeOL:Sold.
Para que o Luisão seja castigado são necessários mais de 27.000 minutos.
Para que a claque do Nacional se canse são precisos mais de 3.000 minutos de chinfrineira.
Para que o Jorge Jesus provoque repulsa só precisamos de 3 minutos. 1 minuto. Pronto, alguns segundos. Poucos.
E para que José Mota se queixe da arbitragem nem é preciso esperar, é só perder um jogo.
Mas para contar uma boa história são precisos 90 minutos.
90 minutos – a rubrica da Cromos da Bola, SAD, que analisa os factos marcantes da bola lusa. Sem censura. Hoje, a última parte da reportagem que faltava sobre a mítica Skydome Cup, o único título do futebol sénior português.
Ela foi disputada ao milímetro entre a Lara Li e a Ana Zanatti
26 de Janeiro de 1995. Toronto parou para encher em massa a Skydome, num frenesim sem precedentes no país da folha de plátano por causa daquele desporto bizantino, em que não eram necessárias camisolas chumaçadas nem capacetes. Talvez estejamos a exagerar – afinal, compareceram apenas 13.658 almas. Não foi por motivos económicos: os bilhetes custavam entre 9 e 25 dólares canadianos, o que pode ser considerado acessível, para mais considerando o poder de compra local. Até Secretário achava que sim. “Era difícil ir às putas por menos de 70 ou 80 dólares. E só estou a falar do beijinho. Para que nos atassem à cama, vestissem cabedal, levassem o chicote e por aí além era 200 dólares no mínimo, sendo que 100 tinham de ser pagos à cabeça. Nunca tinha visto nada igual. Por isso, penso que os bilhetes eram francamente baratos”. Nas bancadas, eram essencialmente as bandeiras verde-rubras das quinas que se agitavam ao vento do ar-condicionado da Skydome. Podia dizer-se que Portugal jogava em casa, senão por aquele ambiente abafado de pavilhão e um tapete verde que era literalmente um tapete sintético da chamada AstroTurf, em que até era possível vislumbrar as separações entre as faixas ao longo do terreno de jogo, à laia de uma carpete mal amanhada. “Parecia daqueles relvados de massapão dos bolos de aniversário para os putos”, sugere Pedro Barbosa. “A minha primeira reacção foi trincar aquilo”. “A minha primeira reacção foi trincar o Alex”, admite por seu turno Jorge Costa. “Ele tinha cara de Weah”, justifica. E já que falámos em verde-rubro umas linhas acima, convém realçar que a Skydome Cup foi uma competição eminentemente maritimista. A turma madeirense contou com 4 jogadores nesse Canadá – Portugal: Vado e Paulo Alves do lado cubano; Alex e Fernando Aguiar do lado contrário. Aguiar também jogava o seu primeiro encontro com as cores do Canadá. “Estreei-me internacionalmente num jogo entre amigos, que mais um moço simples como eu podia pedir?”, diz-nos um bem disposto Aguiar. “Bom, só podia pedir para que não chegassem muito perto, porque eu, pronto, de vez em quando falhava na bola e podia aleijar. Eheheheh! Estou a brincar! Eu nem sei o que é uma bola”! E, para completar o ramalhete das novidades, até o árbitro auxiliar era uma mulher.
Vado, criativo lusitano, desequilibrado pela fleuma
neo-hippie de Nico Drasovic no tapete da Skydome.
O jogo começou bem para as hostes lusas. Folha, lesto, ziguezagueou por entre a floresta de matraquilhos que era a defesa canadiana e bateu o guardião da casa, com uma bela vestimenta da moda à laia de Botende, com um remate por entre as pernas deste. Pese embora o recorte técnico do lance, Folha possui memórias difusas do lance. “Sei que fintei um e depois coloquei a bola nas redes”, conta-nos, “mas depois… ficou tudo escuro, só acordei na palestra ao intervalo e disse para mim mesmo «Bolas, onde estou? Então mas não tínhamos acabado de cantar o hino»”? Folha tinha sido vítima da estranha comemoração que era a tradição entre jogadores portistas – o marcador do golo era violentado fisicamente por intermédio de chapadas, carolos, pontapés e tudo o mais que a pérfida imaginação de Paulinho Santos conseguisse engendrar. Felizmente para ele, apenas Secretário e Jorge Costa estavam na Skydome. “Tive sorte, pois cheguei a ver o Domingos a ser suturado com cinco pontos no lábio e a ficar com o sobrolho aberto depois de um grande golo. Desta vez fiquei só com amnésia temporária. Mas eu sei que o Baroni uma vez fez um golo à Maradona nos treinos e, depois da festa que fizemos à volta dele, ficou como todos sabemos”. Durante o resto do jogo, a equipa portuguesa deixou-se embalar pelo conforto e pela aparente debilidade do adversário. Pedro Barbosa descalçou-se para melhor sentir o feng-shui que emanava da carpete, Rui Bento começou a ler o livro “Baresi – Uma História de Vida” sentado na meia-lua e Sá Pinto começou a praticar taekwondo com a sua sombra, por exemplo. E eis quando, num livre perto do final da partida, Neno decidiu sair dos postes para esticar-se um bocadinho e apanhar uma bola alta. Como era costume, falhou miseravelmente. Ninguém o levou a mal. O Neno era um tipo porreiro e já todos sabiam que um cruzamento era meio-golo. Tomaram o acontecimento como uma inevitabilidade. “Foi pena”, admite Neno, “senti que estive bastante afinado durante o jogo todo, os emigrantes estavam a gostar do meu reportório, desde Júlio Iglésias a Cesária Évora, e distraí-me quando alguém pediu por um bis”. O maior azar foi Alex, quem mais?, estar lá para encostar. 1-1.
“É o delírio!”, exultou Miguel Prates
29 de Janeiro de 1995. O tudo ou nada, com uma multidão de 23.700 espectadores a assistir. Uma vitória dava a taça. O adversário era o campeão da Europa, mas apenas com elementos a jogar no seu país, tal como nós, e o empate servia-lhes. Ciente da importância deste jogo, António Oliveira, qual louco, decide jogar com um ponta-de-lança de raiz, Paulo Alves. Todos ficaram a perceber que a coisa era a doer, para mais se pensarmos que os playmakers eram Nelo e Vado, com a rapidez de Pedro Barbosa e a acutilância de Folha pelas alas. “O mister estava doido”, assegura-nos Paulo Madeira. “Vimos os seus olhos de fúria quando nos revelou que íamos jogar com dois extremos mais ou menos abertos e apenas dois trincos, sendo que um até costumava passar do meio-campo. Era uma táctica temerária… E ainda havia mais um avançado e um extremo no banco! Acho que o Taira se acagaçou todo com as responsabilidades”. Foi verdade? “Não, não, eu nem sequer fui ao Canadá”, nega Taira, algo incomodado com a questão. “Mas devia ter ido! Agora, se me perguntam por um suspeito… Eu acho que foi o Barroso”.“Prefiro não comentar”, responde Barroso, enquanto se tranca no WC, despedindo-se abruptamente da nossa reportagem. Regressando ao jogo, o tempo passava e o nó não se desatava. Rui Bento sai para dar lugar a Tulipa. Ficámos a jogar apenas com um médio defensivo, que ousadia. Depois Vado, acusando a pressão, cede para entrar Sá Pinto, que foi correr lá para a frente à sua maneira, tipo barata-tonta. Cheirava a desespero. E por fim, a clássica troca de extremos, Folha por Caetano. Tanta profusão atacante era uma coisa inimaginável. Já era tudo ao molho e fé em Deus. Minuto 89. Jorge Costa, destemido, ultrapassa todas as convenções e leva a bola como pode pelos dinamarqueses, que ficam atordoados como se estivessem no olho de um furacão, entrega a Pedro Barbosa, este ginga até à linha de fundo como uma serpente que hipnotiza os passarões nórdicos, cruza, a bola sofre um desvio e Paulo Alves diz que sim com um pontapé de belo efeito. O momento alto de uma carreira? “Talvez”, admite por entre sorrisos. “Lembro-me que festejei como se estivesse a fugir do bafo do Presidente Fiúza, o que atesta bem da minha felicidade”. Segue-se a celebração colectiva, merecida, destes valorosos guerreiros. “Até eu corri à volta do pavilhão dessa vez, tamanha foi a festança”, conta-nos Pedro Barbosa. Caetano diz-nos “eu queria festejar, a sério que queria, porque podia ser a última vez que iria festejar qualquer coisa de jeito que não fosse o meu aniversário, o que até se veio a provar verdadeiro, mas durou pouco porque o roupeiro enganou-se, arrumou-me junto das bolas e não mais consegui sair de lá. Viajei de volta dentro do porão do avião”.
Quem mais carismático que o capitão Nelo
poderia alardear esta taça aos céus?
Skydome. O nome que associamos a sapatilhas sem pitons, jogos a altas horas da noite por causa do fuso horário e a uma taça erguida por Nelo. “Sei que vão tentar minimizar o meu impacto na história do desporto português”, acusa um dorido Nelo, incapaz de calar o que pressente ser uma enorme injustiça. “Os registos fotográficos estão aí: fui eu o capitão dessa equipa. Mas hoje só querem falar da minha época no Benfica, do meu cabelo e do meu nome pouco mediático, que o Herman José ajudou a não dignificar. É triste”. Hoje em dia, o espaço Skydome que conhecíamos já não existe. Passou por algumas agruras após esta grandiosa vitória portuguesa, ao jeito de um estádio do Euro-2004, e foi considerado “um elefante branco”. “Sei bem o que isso é!”, atira prontamente Secretário, com os olhos a brilhar e as mãos em actividade dentro dos bolsos das calças. Abriu falência em 1998, foi comprado por 85 milhões, depois vendido à Rogers Communications em 2004 por apenas 25 milhões de dólares – ou seja, apenas 4% do custo inicial – e foi redenominado Rogers Centre. Mas a taça do nosso contentamento, o nome que ficou indelevelmente cravado nos nossos corações, será sempre Skydome.
Para surgir um jogo em que o Javi García não mereça cartão são precisos mais de 6.000 minutos.
Para aparecer um golo de Wolfswinkel esperamos cerca de 900 minutos.
Para que o Vítor Pereira seja assobiado são necessários 5 minutos.
E para que o Nélson Oliveira fosse considerado um grande jogador demorou apenas 0,2 minutos.
Mas para contar uma boa história são precisos 90 minutos.
90 minutos – a rubrica da Cromos da Bola, SAD, que analisa os factos marcantes da bola lusa. Sem censura. Hoje, a reportagem que faltava sobre a mítica Skydome Cup, o único título do futebol sénior português.
Entalada entre a Geração d’Ouro e a Geração Scolari viveu a Geração Skydome. Remetidos a um agoniante anonimato, estes heróis desvalorizados conquistaram o único título do futebol sénior português. Mais ainda: foram a única selecção de futebol sénior europeia a trazer um título de fora do seu continente no século XX. Mas nem por isso mereceram a gratidão do adepto luso. “Fomos escorraçados como ratos do navio da História”, lamenta-se um amargurado Nelo, o capitão desta ínclita geração. “Tinha o mundo todo à minha frente, estava no auge da minha polivalência… e ainda tinha cabelo; um cabelo estranho, mas, caramba!, era cabelo!”, prossegue em jeito de desabafo, com os olhos humedecidos colocados nas suas botas de bicos afiados e gestos bruscos das mãos que entram e saem dos seus jeans Sóveste. Nelo sente a injustiça a ferver nas veias e depois resigna-se, pontapeia desajeitadamente uma pedra no caminho que sai pela linha de fundo da vida e diz como forma de consolação “’sa foda, o Tavares nem calçou, por exemplo, e eu pelo menos levantei a taça”.
A cumplicidade entre Nelo e Tavares tornou-os num ícone pop
de Portugal dos últimos 50 anos, a par de outras duplas famosas.
Estávamos no início de 1995. Nelo e Tavares davam cartas no embaralhado Benfica do Rei Artur e tudo lhes era permitido. A Lisboa cosmopolita e soalheira de final de século dissimulava perigosas tentações para esta dupla infernal. Para eles, esta cidade tornou-se numa Las Vegas de excessos, a urbe de todos os pecados, a capital de todas as orgias. Nelo recorda-se bem dessa demência descontrolada: “Foi nessa altura que me chutei pela primeira vez”. Pois, o pesadelo das drogas. “Não, foi um movimento peculiar que inventei num treino, que consistia em pontapear-me a mim mesmo quando fingia passar a bola. Toda a gente ficou maluca. E eu deixei-me levar. Levantava-me de manhã já só a pensar no próximo chuto, foram meses só a pensar quando me ia chutar. Gastava todo o dinheiro no bingo e em caneleiras que se partiam ao fim de dois ou três treinos. Já estava todo marcado, até no cu me chutei. E depois, vieram as mulheres. Ah, as mulheres do Benfica... Tinha as mulheres todas que queria: a Leonor Pinhão, aquela desdentada do 3º anel, a gaja do garrafão, a preta mamalhuda que nunca se lavou, enfim, estava no paraíso. Aquilo afectou a minha qualidade de jogo, como é bom de ver”. Eram tempo doidos, de facto. O frenesim das grandes metrópoles sentia-se nos ensejos de multiculturalismo que latejavam. Bonga arribava pelos tops e, não muito depois, Iran Costa fez a sua homenagem a essa louca Lisboa, com um arrojo visual que deixava transparecer o psicadelismo muito intrínseco da época. E, quando o campeonato parou a seguir ao Natal, a FPF aceitou esse convite à internacionalização e um cachet de 200.000 contos (997.596 euros) para se deslocar ao Canadá e fazer duas partidas de futebol indoor contra os anfitriões e a Dinamarca. António Oliveira, o seleccionador, estabeleceu uma quota de três jogadores por clube grande e os eleitos do Benfica foram Nelo, Paulo Madeira e Neno, riscando assim da história Tavares, o eterno compincha de Nelo. “A nossa relação nunca mais foi a mesma a partir daí. Deixámos Lisboa ao fim de pouco tempo, largámos aquela vida maldita e ainda aguentei mais dois anos em comum. Mas já discutíamos por tudo e por nada, senti que perdêramos a chama da paixão e o divórcio foi inevitável”. Inveja? “Talvez. Mas eu perdoo-o; o Tavares também estava muito consumido por aquele ambiente e chegou a sofrer do síndroma-Barroso”, referindo-se a uma célebre, e embaraçosa, indisposição intestinal que acometeu o seu ex-colega em Milão.
A volta de consagração dos heróis de Toronto em tons sépia
(para parecer mais heróico)
Entre polémicas e surpresas, a Selecção aterrou em Toronto com 13 graus negativos naquele final de Janeiro de 1995. Privada de grandes nomes por força da pressão dos grandes clubes nacionais e europeus, depositou as suas esperanças em nomes menos sonantes, à laia dos “seabrinhas” uns anos antes, mas nem por isso menos virtuosos. Como o então vimaranense Pedro Barbosa. “O que mais me custou foi ter que degustar aqueles muffins gigantes e as saudades do belo croissant”. Ou Sá Pinto. “Estava a começar a expor o meu futebol. E também ainda tinha dentes de vampiro. Mas só tinha aspecto de mau, nem uma bofetada no José Romão era capaz de dar nessa altura sem que me doessem os dedos”. Ou ainda Calado, ainda virgem no que a internacionalizações concernia. Mas Calado optou pelo silêncio, declinando falar connosco. Mais jogadores foram desflorados com a camisola principal das quinas, marca Olympic, como os baixinhos Vado e Caetano.
Caetano, o ratinho atómico de Santo Tirso, lembra com ternura a oportunidade que teve de vestir aquela camisola, enquanto sobe a um banco para se aproximar do nosso gravador. “Aaah, adorei! Aquele design de camisola era fantástico! Aquilo servia-me de camisola, calças, meias, avental e cobertor. A expressão «vestir a camisola» adequou-se-me muito bem; aliás, eu não precisava de vestir mais nada para ficar todo coberto”. Vado, a quem o sucesso voltou as costas, foi outro português deslumbrado. “Foram os melhores momentos da minha vida, que guardo com enorme orgulho. Finalmente, alguém reconhecia o meu valor. O facto de ter sido o primeiro a ser substituído em ambos os jogos quando era preciso acrescentar algo à equipa e de nunca mais ter sido chamado não me beliscou minimamente”. Quem lhe beliscou, entre outras diatribes, foi Jorge Costa. O ex-central sentiu-se incomodado por ter tanta gente estranha à sua volta, como nos revelou num registo desapaixonado. “Pensava que eram emigrantes que tinham vindo para a construção civil cá para o Canadá, ó caralho… Raio de gente esquisita… Foda-se, quem é esta gente, caralho?!? Apeteceu-me mandar-lhes logo uma cotovelada nas trombas. Mas depois o Secretário disse-me, «eh, pá, ó Bicho, tem lá calma com essas cenas, senão ficamos sem gente para o ataque» e eu, ah, o caralho, e a quem a que eu mando fruta, deves pensar que vou ficar aqui ao frio sem mandar pau a ninguém, e ele «ah e tal, tens de te controlar» e eu, pois é, ó Secretas, e tu também vais ficar estes dias todos sem bater umas punhetas lá no quarto, queres ver? E ele «eh pá, não ‘tamos a falar das mesmas cenas», e eu, não ‘tamos o caralho, qu’esta merda também é uma necessidade básica para mim, e ele lá se calou e eu mandei um calduço no Caetano, ou no Vado, sei lá, que o virou ao contrário e fez com que ele fosse dar com as trombas nas costas do Paulo Alves e depois o Paulo Alves ficou com aquele nariz todo saído para a frente desde essa altura. Mas ficámos todos amigos no final da competição e nunca mais lhes bati. Pelo menos, com muita força”.
Eis uma amostra dos estágios de Portugal no estrangeiro:
uma verdadeira escola de virtudes.
O local dos jogos foi a moderna Skydome, que emprestou o seu nome à competição, um novel ex-libris – ou mamarracho, consoante a perspectiva – do Ontário. E otários não foram os jogadores. Segundo o que os próprios responsáveis federativos confidenciaram, aconteceram episódios “caricatos”, quiçá roçando o rocambolesco, que é um adjectivo normalmente aplicável aos portugueses quando vão para longe da pátria em grandes grupos, vide Saltillo e Coreia-Japão. Alfredo, o guarda-redes que cantava menos entre os eleitos para defender os postes, levantou a ponta do véu. “Eheheheh… o que eu curti!… Meu, o que eu curtiiiiiiiiiii… bem, aquela cena do tipo que vai assim com a tipa que… eiiiich!, meu, eheheheheh!, meu, só visto, ‘tás a ver? Bem, e aquela do outro que caiu em cheio com o queixo em cima da cena que o outro meteu a fritar no quarto da… ena pá! Ganda cena, meu! Mas não quero dizer mais nada… podia contar aquela em que nós fomos atrás dos outros que iam com a coisa de fora a abanar pelo meio do coiso até aparecer o fulano com o sicrano e disse aquilo do sócio do gajo que até era cunhado do tal… mas não quero lançar suspeitas à toa. Só sei que curti com’ó caraças! Perguntem ao Tulipa”. Mas Tulipa não adiantou muito. “Quem? Eu? Desminto categoricamente. Eu estive lá? Duvido. Eu fui campeão de juniores em Lisboa, isso sim”… Tulipa esteve por lá, sim. Discreto e atordoado pela convocatória, mas presente, ele que andava naquela altura entre o Belenenses e o Salgueiros a espreitar um arranque de carreira que nunca se concretizou verdadeiramente, pese embora os 20 minutos de competição na Skydome. Ainda assim, melhor que Barroso, o lançador de torpedos bracarense, que entrou a um minuto do fim do primeiro jogo para inverter a tendência. “O mister lançou-me e deu-me ordens muito concretas: é para ir lá para o meio e não fazer rigorosamente nada, para não sair merda. Ele já me conhecia bem e sabia que eu era propenso a fazer merda. Se houvesse um livre, então eu mandaria o balázio do costume. Mas não houve”. E assim, a marca de Barroso nesta competição foi completamente ofuscada. “Mas não me arrependo de nada e hoje julgo que a minha vida é muito melhor depois da Skydome Cup. A Skydome foi o Imodium Rápido que eu nunca tive”, assume, sem remorsos.
Pois é, a Skydome. Custo de construção: 625 milhões de dólares canadianos. Inaugurada em 1989, albergou jogos de futebol canadiano, beisebol e até de basquetebol a partir desse ano de 1995. Foi a primeira arena da América do Norte a possuir um tecto completamente retráctil e funcional. Dela disse o presidente da entidade gestora do recinto aquando da inauguração: “The name has a sense of the infinite and that's what this is all about”. O conceito a reter é o infinito. E, nem de propósito, foi aqui que as hostes lusas se lançaram para a imensidão da eternidade, para os braços meigos da glória perene.
Accioly é um jogador brasileiro que joga no Santa _lara. Accioly _ome_ou no Esporte _lube da Bahia, e _hegou à Europa pre_isamente por intermédio do _lube a_oriano. Accioly joga a defesa-_entral e é um dos esteios da forma_ao mi_aelense. _om 31 anos de idade, Accioly _ontinua a pro_urar a letra "C". Pede-se en_are_idamente a quem _onhe_er o seu paradeiro, que a entregue na Rua _omandante Jaime Sousa, nº 21, Ponta Delgada. Accioly, o defesa-_entral, a_redita piamente que tudo o que o separa de uma _arreira históri_a no futebol luso é pre_isamente esta _urva _onsoante. Julgando pela equa_ão anexa, é difí_il _ontrariar essa sua expe_tativa.
Os votos da equipa _romos da Bola, SAD são de esperan_a e boa fortuna para que Accioly en_ontre a letra que o levará a atingir a _alva eleva_ão a futebolista de ex_ep_ão, pleno de _riatividade, _arisma e _apa_idade de lideran_a.